Sáb. Dez 15th, 2018

Arqueólogos descobrem enorme monumento em Petra.

Plataforma enterrada mede cerca de 56 metros por 49 metros “não tem paralelo” na cidade antiga de Petra e foi descoberta usando imagens de satélite para fazer a varredura do terreno circundante.

Uma fachada em Petra, onde uma nova estrutura monumental foi encontrado na cidade construída pelos Nabateus à mais de 2.000 anos atrás. Fótografo: Martin Keene/PA
Uma fachada em Petra, onde uma nova estrutura monumental foi encontrado na cidade construída pelos Nabateus à mais de 2.000 anos atrás.
Fótografo: Martin Keene/PA

Os arqueólogos encontraram uma estrutura monumental enterrada sob as areias de Petra, de acordo com um novo estudo que se baseou em imagens de satélite para fazer a varredura da cidade antiga.

Levantamentos de satélite da cidade revelaram uma plataforma enorme, de 56m por 49m, com uma plataforma interior que foi pavimentada com lajes, forrada com colunas de um lado e com uma escadaria gigantesca descendente para o leste. Uma estrutura menor, 8,5m por 8,5m, ficava no topo da plataforma interior e abria para a escada. Cerâmica encontrada perto da estrutura sugere que a estrutura poderá ter mais de 2.150 anos de idade.

“Actualmente esta plataforma monumental não tem paralelos em Petra ou no seu interior” escreveram os pesquisadores, observando que a estrutura, estranhamente, é perto do centro da cidade, mas “escondida” e de difícil acesso.

“Que seja do meu conhecimento, não temos nada como isto em Petra”, disse Christopher Tuttle, um arqueólogo que trabalhou em Petra durante cerca de 15 anos e co-autor do trabalho.

Zoom da plataforma de imagem tirada por um UAV. Fótografo: I LaBianca
Zoom da plataforma de imagem tirada por um UAV.
Fótografo: I LaBianca

“Eu e outros arqueólogos (que trabalharam em Petra nos últimos 100 anos, sabíamos que alguma coisa estava lá) Eu sei de pelo menos que um outro arqueólogo tinha reparado em alguma coisa lá”, disse ele. Mas os lados da estrutura se assemelhavam a paredes de terraços, comuns na cidade, ele observou: “Eu não acho que nunca ninguém prestou muita atenção a eles.”

Tuttle colaborou na pesquisa com Sarah Parcak, um auto-descrito “arqueólogo do/de espaço” da Universidade do Alabama em Birmingham, que usou satélites para examinar o local.

Parcak disse que começou com inspecções com “bastante cepticismo” do que poderia encontrar – eles estão a trabalhar em locais no norte de África, América do Norte, Europa e ainda outros lugares – e que ficou surpresa ao encontrar o monumento “acabou por ser algo significativo”.

“Petra é um local enorme, e nós escolhemos o nome para o nosso artigo [ “escondido à vista de todos”] precisamente porque, embora esteja a menos de 1 Km ao sul da cidade principal, pesquisas anteriores não deram por ela”, disse ela.

Tuttle e uma equipa fizeram viagens posteriores para medir e analisar o site a partir do solo. Lá eles encontraram cerâmica dispersa, a mais antigo dos quais sugere o site poderia remontar ao tempo da fundação de Petra. “Estamos sempre muito cautelosos sobre isso,” disse Tuttle, “mas a cerâmica mais antiga pode ser datada relativamente de forma relativamente segura para cerca de 150 a.c.”

Petra foi construída pelos Nabateus no que é hoje o sul da Jordânia, enquanto a civilização foi acumulando grande riqueza da negociação com os seus contemporâneos gregos e persas por volta de 150 a.c.. A cidade foi finalmente conquistada pelos impérios romano, bizantino e otomano, mas as suas ruínas permanecem famosas graças ao trabalho dos seus fundadores, que esculpiram fachadas espectaculares em penhascos e desfiladeiros. Ela foi abandonada por volta do século VII, e redescoberta pelo explorador suíço Johann Burckhardt em 1812.

Junto com a mais antiga cerâmica Nabateia, encontraram fragmentos que tinham sido importados das culturas helenística que tiveram trocas comerciais com Petra, bem como cerâmica das eras quando os impérios bizantino e romano e tiveram a cidade sob sua guarda.

Visão geral da monumental plataforma , olhando de sul-leste. Jabal an-Nmayr está indicado pela seta voltada para a esquerda, e a inclinação de "South Ridge" com terraços agrícolas pela seta voltada para baixo. Fotografo: G al Faqeer
Visão geral da monumental plataforma , olhando de sul-leste. Jabal an-Nmayr está indicado pela seta voltada para a esquerda, e a inclinação de “South Ridge” com terraços agrícolas pela seta voltada para baixo.
Fotografo: G al Faqeer

Nas montanhas, vales e desfiladeiros que cercam Petra, Tuttle disse, “há toneladas de pequenos santuários de culto e plataformas e coisas dessas, mas nada nesta escala”. Ele disse que esses sites, incluindo um planalto grande, aberto, conhecido como o Mosteiro e, provavelmente, “usado para vários actividades de culto ou actividades políticas”, é o paralelo mais próximo ao edifício recém-descoberto. “Para ser honesto, não sei muita coisa sobre isso.”

Esses sites sugerem que a estrutura foi usada para “algum tipo de função de actividade enorme”, disse ele. Contudo, ao contrário de outros sites, a escada gigante não está virada para centro da cidade de Petra, ao que Tuttle chama uma peculiaridade “fascinante”.

“Nós não entendemos qual a finalidade [dos santuários visíveis], porque os nabateus não deixaram quaisquer documentos escritos para nos dizer”, disse ele, acrescentando: “Mas eu acho interessante que um característica tão monumental não tenha uma relação visível com a cidade “.

Santuários Nabateus nos arredores de Petra oferecem pistas mistas sobre as práticas dos pessoas antigas. Como outras culturas semitas desses dias, os nabateus usaram um estilo indirecto (“aniconic” em inglês) para representar indirectamente as suas divindades: blocos esculpidos, estelas e nichos. Às vezes, haverá “um nicho vazio, apenas uma parede esculpida na parede, onde o espaço vazio em si pode ser representante ou eles poderiam ter tido imagens portáteis”, disse Tuttle.

Pesquisas anteriores do site não repararam na estrutura. Fotografo: G al Faqeer
Pesquisas anteriores do site não repararam na estrutura.
Fotografo: G al Faqeer

Mas como eles tinham constante comércio muito próximo com outras culturas do Mediterrâneo, os nabateus também adoptaram representações figurativas. “Os Deuses Nabateus são comparados a Zeus ou Hermes ou Afrodite, e esse tipo de coisas”, disse ele.

Os pesquisadores publicaram o seu trabalho no Boletim das Escolas Americanas de Pesquisa Oriental (Bulletin of the American Schools of Oriental Research). Eles disseram que, embora eles de momento não tenham planos para escavar o local, eles esperam ter a oportunidade de lá trabalhar no futuro.

Parcak disse que espera “algumas descobertas bastante surpreendentes durante o próximo ano”, usando satélites e novas técnicas sofisticadas no sudeste da Ásia “e outras áreas / floresta tropical/àreas densamente florestadas”. A tecnologia de levantamento chamada Lidar, por exemplo, descobriu sites em florestas remotas na América Central.

“Esta tecnologia não é sobre o que você encontra – mas como podes pensar em coisas como escala de colonização e antigas interacções homem-ambiente de forma mais ampla”, acrescentou. “O que acontece quando podes mapear realmente características enterradas próximas da superfície para um site inteiro? Estou animado, mas precisamos pensar sobre as implicações de ter toda esta tecnologia ao nosso alcance para que possamos usá-lo de forma responsável. ”

By: Alan Yuhas
In: The Guardian

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